
Com apenas R$10,00 no bolso e a curiosidade na bagagem, fomos até a tradicional feira livre de Jaicós, no semiárido piauiense, para descobrir o que ainda é possível comprar com uma nota de dois dígitos. Em tempos de inflação e orçamento apertado, o desafio parece ousado. Mas o sertanejo, como sempre, ensina: onde há criatividade e solidariedade, há também sustento.
A feira, realizada semanalmente no centro da cidade, é um espetáculo para os sentidos. As barracas disputam espaço com os passantes, enquanto o cheiro de temperos, frutas frescas e comidas típicas se mistura ao burburinho dos feirantes. Os produtos vêm de pequenos agricultores da região, que ainda preservam o costume da venda direta e do bom papo.
Logo ao entrar, somos recebidos por um cenário vibrante. Cores intensas das frutas,Entre barracas de temperos, hortaliças, doces caseiros e produtos da roça, os dez reais foram postos à prova.
“Hoje em dia, com R$ 10,00 você compra pouco, mas ainda dá pra levar alguma coisinha pra casa. Tem que saber escolher e negociar”
Ao final da manhã, com sacolas modestas nas mãos e o coração cheio de histórias, entendemos que o valor da feira de Jaicós vai além dos preços. É o encontro entre o urbano e o rural, entre a luta diária e a generosidade que brota da terra e do povo.
O que conseguimos com R$10:
1 maço de cebolinha – R$2,00
1 Cheiro Verde – R$2,00
4 Caju – R$2,00
1 Pacotinho de tempero Chimichurri – R$2,00
1 Prendedor de Cabelo - R$ 2,00
Total: R$10,00
Em tempos de crise, a feira de Jaicós mostra que o sertanejo continua sendo, antes de tudo, um forte. Um forte que planta, colhe, negocia, compartilha e ensina a fazer muito com pouco.
Mais do que uma simples ida às compras, essa experiência nos lembrou que, na feira, cada centavo carrega muito mais do que valor monetário: ele representa dignidade, tradição e resistência.
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