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Justiça

Eletricista acusado de matar ex-mulher com 17 facadas pede perdão à família da vítima durante julgamento

Publicada em 06/03/25 às 14:29h - 31 visualizações

por TV Gallo


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O eletricista Ezequiel Rodrigues pediu perdão à família de empregada doméstica, Valdirene Torquato, que acompanhou o segundo julgamento do réu que acontece nesta quinta-feira (6) na 2ª Vara do Tribunal do Júri de Teresina. Valdirene foi morta com 17 facadas, em janeiro de 2022. Ezequiel enfrenta o seu segundo julgamento, após o primeiro ter sido anulado a pedido de sua defesa, que alegou que houve uma possível violação ao direito de silêncio seletivo de Ezequiel durante seu interrogatório.

"Perdoa ai", disse ele se referindo à família da vítima.

 

 

O réu chegou ao tribunal de cadeira de rodas. No seu primeiro julgamento, em janeiro de 2024 ele chegou ao tribunal andando. Segundo a sua defesa, ele sofreu dois acidentes vasculares cerebrais, na Cadeia Pública de Altos, onde estava preso. Agora ele está internado no Hospital Penitenciário. Segundo os seus advogados, o réu fala com dificuldade, não anda e está com metade do corpo paralisado em decorrência do AVC. Eles acreditam que o eletricista possa ser condenado a uma pena inferior aos 26 anos que lhe foi dado no último julgamento, em fevereiro do ano passado.

"Ele sofreu dois AVC enquanto estava preso na Cadeia de Altos. Conseguimos que ele fosse transferido para o Hospital Penitenciário, mas lá ele não tem acesso a sessões de fisioterapia e fonoterapia que ele precisa fazer", disse o advogado Smailly Carvalho.

No tribunal, ele respondeu somente às perguntas formuladas por sua defesa, utilizando a mesma estratégia defensiva do primeiro julgamento. Ele disse que no dia do crime foi até o trabalho de Valdirene porque queria conversar com a vítima. Mas segundo ele, os dois se desentenderam e ele acabou esfaqueando a vítima 17 vezes. Além das facadas, a família de Valdirene disse ao Cidadeverde.com que ela sofreu fraturas no rosto, que teve o nariz e o maxilar quebrados, que perdeu dentes e tinha vários hematomas, possivelmente causados por espancamento.

"O nosso cliente é réu confesso. Ele está arrependido e quer cumprir a pena dele, mas nós como defesa não podemos deixar que seja imposto a ele uma pena para além dos crimes que ele cometeu. Nós refutamos a ideia do feminicídio, essa motivação não existia mais, o casal já estava separado a mais de cinco anos, e nem agravantes como premeditação e motivo fútil", explicou o advogado.

Foto: Renato Andrade / Cidadeverde.com

Além de Ezequiel, outras oito pessoas já foram ouvidas no tribunal. Agora o julgamento entra na fase de debates orais. A acusação será a primeira a falar, depois é a vez da defesa. Pode haver réplica e tréplica. Ao final o juri vai se reunir e definir a sentença do réu, que será apresentada pela juíza.

O irmão de Valdirene, Janielson Eugênio, lamentou a necessidade de um novo julgamento, mas disse confiar na Justiça.

“Infelizmente, estamos aqui novamente. Isso já era para ter acabado. Confiamos na Justiça e acreditamos que ele será condenado mais uma vez. Não tem como ficar remoendo isso. A maior prova é a vítima, ela estava no chão e ele em cima dela matando ela. Ela não teve o direito de pedir socorro e vem dizer que o réu não teve oportunidade de falar? Isso é uma falta de vergonha”, disse. 

Janielson também revelou que cuida do filho do casal, que recebe acompanhamento psicológico devido ao trauma da perda da mãe.

Foto: Mikaella Ramos / TV Cidade Verde

“Ele é filho do casal. Hoje, apesar de tudo, é uma criança boa, mas precisa de acompanhamento psicológico, porque é necessário. Está sempre triste, e, por mais que eu o ame, meu amor nunca substituirá o da mãe dele. Ele mora comigo e com minha mãe. Meu pai também morava conosco, mas faleceu", acrescentou. 

A amiga da vítima, Luzinete Lima Sousa, destacou a comoção causada pelo crime e reforçou a importância de denunciar agressões.

“Estamos aqui para pedir justiça e para que outras mulheres tenham coragem de denunciar seus agressores. É muito triste perder uma pessoa assim. A morte dela abalou nosso bairro e nossa comunidade, todo mundo sentiu muito. Foi uma morte precoce. Ela não precisava passar pelo que passou. Queremos justiça, queremos que ele pague. Ela não merecia morrer da forma que morreu", ressaltou. 

Foto: Reprodução 

Valdirene Torquato

Por que o primeiro julgamento foi anulado?

A defesa planejava que o acusado permanecesse em silêncio, respondendo apenas às perguntas feitas por seus advogados. No entanto, a juíza do caso encerrou o interrogatório antes que a defesa pudesse se manifestar, o que levou à anulação do julgamento.

No primeiro júri, Ezequiel foi condenado a 26 anos e oito meses de prisão em regime fechado, por homicídio qualificado com as agravantes de motivo fútil, meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e feminicídio. Além da pena, ele foi condenado a pagar R$ 300 mil de indenização à família da vítima.

Mesmo com a anulação da sentença, o acusado permanece preso.

Acusação mantém estratégia para condenação

Em entrevista ao programa Notícia da Manhã, a advogada Samila Borges, que representa os familiares da vítima, destacou que todas as provas contra o réu continuam nos autos e serão reapresentadas.

“A acusação vai apresentar todas as provas que constam no processo: motivo fútil, meio cruel, sem chance nenhuma de defesa para a vítima e feminicídio. Tudo já está acostado nos autos. Mesmo com a anulação do primeiro julgamento, isso não muda em nada, porque está tudo provado e será provado novamente com fotos, vídeos e perícia. Então, não há o que a defesa alegar. A acusação está pronta para condená-lo novamente", pontuou. 

Relembre o caso

Valdirene Torquato da Silva, 42 anos, estava a caminho do trabalho quando foi surpreendida e atacada pelo ex-companheiro no bairro Ilhotas, zona Sul de Teresina. Ela trabalhava como doméstica em um condomínio próximo ao local onde foi morta. A vítima foi atingida por 17 golpes de faca.

Ezequiel Rodrigues foi preso minutos após o crime. Ele fugiu da cena do homicídio, mas foi capturado por policiais militares nas proximidades da estação do metrô do bairro Cabral.

De acordo com familiares, Valdirene e Ezequiel viveram juntos por quase uma década, mas já estavam separados há cinco anos. A vítima vinha sofrendo ameaças constantes por parte do ex-companheiro. O casal teve um filho, que hoje tem 10 anos.

 

Fonte: Cidade Verde

Por: Rebeca Lima, Mikaela Ramos e Adriana Magalhães




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