A partir de 26 de maio de 2025, fatores como estresse, assédio e carga mental excessiva passarão a ser oficialmente considerados na proteção à saúde dos trabalhadores. As mudanças fazem parte da atualização da Norma Regulamentadora nº 1, realizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego em agosto de 2024, que exige que todas as empresas brasileiras incluam a avaliação de riscos psicossociais na gestão de Segurança e Saúde no Trabalho (SST).
Com um olhar mais atento à saúde mental no ambiente de trabalho, a construção de uma cultura de bem-estar e um espaço aberto ao diálogo se tornam essenciais para prevenir e minimizar problemas como estresse, burnout, ansiedade e assédio — fatores que são algumas das principais causas de afastamento profissional.
Segundo o médico do trabalho Saulo Cerqueira de Soares, do serviço de Saúde Ocupacional e Segurança do Trabalho do Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI), as doenças ocupacionais variam conforme os riscos específicos das atividades, mas apresentam padrões que refletem tanto a natureza física quanto o ambiente emocional de cada área.
Na indústria e manufatura, problemas musculoesqueléticos, como LER (lesão por esforço repetitivo), dores na coluna e síndrome do túnel do carpo são comuns.
Na área da saúde, os riscos incluem o manuseio de perfurocortantes, agentes biológicos e sobrecarga emocional, com destaque para o burnout. No setor corporativo, o sedentarismo, trabalho repetitivo e má ergonomia resultam em dores posturais e tensão ocular, agravadas pelo estresse.
Já na construção civil, fatores como ruído, poeira, clima adverso e exposição a produtos químicos podem levar a doenças respiratórias, problemas auditivos e lesões.
“Pausas ativas e ergonomia são essenciais para o bem-estar e a produtividade no trabalho. Pequenos intervalos com movimentos ou alongamentos reduzem a postura estática, aliviam tensões, melhoram a circulação e previnem lesões. Além disso, renovam a energia mental, aumentam a concentração e ajudam a evitar o estresse e o burnout. O tempo de recuperação de fadiga (TRF) destaca a importância desses intervalos para a saúde física e mental”, afirma Saulo Cerqueira.
Com a nova regulamentação, espera-se que as empresas adotem políticas mais eficazes para garantir ambientes de trabalho saudáveis, equilibrados e alinhados às necessidades dos profissionais da atualidade, considerando a saúde física, mental e o equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
“Um dos maiores desafios para as organizações é mudar a percepção de que investir na saúde dos colaboradores não é apenas um custo ou uma exigência legal, mas sim um investimento estratégico que gera retornos significativos. Essa mudança de paradigma implica repensar prioridades e estabelecer uma cultura onde programas de bem-estar, ações de saúde mental, práticas ergonômicas e iniciativas para o equilíbrio entre vida pessoal e profissional sejam valorizados não apenas por atender a normas legais, mas também como instrumentos que aumentam a produtividade, reduzem o absenteísmo e fortalecem a resiliência organizacional”, explica Saulo Cerqueira.
Manter a saúde física e mental dos trabalhadores exige ações individuais, como o desenvolvimento da inteligência emocional, a prática de atividades físicas e a busca por equilíbrio.
“As novas gerações valorizam um propósito no trabalho, tornando essencial que as empresas invistam em programas de bem-estar que vão além do cumprimento legal. O respeito ao tempo de desconexão, especialmente durante as férias, é crucial para a recuperação dos colaboradores. Além disso, um salário compatível com o custo de vida e oportunidades claras de crescimento garantem segurança financeira, reconhecimento e um ambiente corporativo mais justo e motivador”, destaca.
Saulo Cerqueira também aponta uma mudança no perfil do trabalhador moderno.
“O trabalhador atual não se contenta apenas com benefícios tradicionais ou reconhecimento pontual. Ele busca um propósito que conecte suas atividades diárias aos seus valores pessoais e a uma missão maior. Essa busca por sentido impulsiona a integração entre vida profissional e pessoal, promovendo maior flexibilidade na jornada de trabalho e garantindo que momentos de lazer e autocuidado sejam respeitados tanto quanto as demandas profissionais”, conclui.
Fonte: Cidadeverde.com